Com quase 30 faixas, Cowboy Carter, o novo disco da principal artista da música pop chegou às ruas no dia 29/03. Como o Brasil se relaciona com esse projeto? Qual a importância da obra pra música atualmente? Cola com a gente pra saber mais sobre.

A continuação de Renaissance (2022), é um álbum de Country, com um recorte muito específico dentro do gênero, sendo Beyoncé a protagonista em seu lugar de direito, não só nas paradas da música pop, mas na liberdade de criar absolutamente tudo que ela quiser.
O Country por si só é um gênero norte-americano que não abre espaço nem dá brecha para artistas de fora. Dito isso, o passo que Beyoncé deu nesse projeto foi fora da curva.
Se buscarmos lá atrás, em 2016, vimos Bey aparecer no Country Music Association Awards, cantando “Daddy Lessons”.
No evento, a artista se deparou com criticas racistas nas redes sociais de usuários que acompanharam a premiação. Sete anos depois, ver um projeto tão longo, com uma estrutura gigantesca, cheio de faixas, tipo uma Mixtape (sem ser uma), é mais uma vez ver Beyoncé nadando contra a maré da indústria.
E sejamos claros: existe um preconceito na indústria da música Country Mainstream. Logo, ver Beyoncé mergulhar a fundo na história desse gênero musical, através de uma pesquisa incessante, tanto na construção de acordes, melodias, composições e principalmente samples (aqui onde o Brasil entra), é apostar no novo.
E por falar em novo, o disco é um “Ato II” para Renaissance de 2022. Ela se aventura na região Cajun da Louisiana, nos rios do Alabama, nas ruas de Memphis, nas grandes planícies de Oklahoma e em suas memórias dos rodeios multirraciais do Texas.
Beyoncé usa o gênero como uma forma de relembrar grandes nomes da música, como Candi Staton, Ray Charles, Charley Pride, entre outros que contribuíram diretamente para a música internacional.
E o Brasil no disco, hein?
O troféu vai pra ele: DJ O Mandrake, de Santo Cristo dos Milagres (aqui no Rio de Janeiro), que declarou pouco tempo depois do lançamento do projeto, o sample que vem de uma música sua, a faixa Aquecimento das Danadas, com o MC Xaropinho. Pega a visão em como as versões são utilizadas:
Sobre a criação do Aquecimento das Danadas o DJ O Mandrake disse:
“Não era uma música pra tocar no auge do baile, mas o pessoal foi inventando passinhos, ela foi ficando grande e criando corpo.”
Com a repercussão da faixa em escala global, o DJ foi devidamente creditado e receberá pela utilização do sample. E aqui é onde o nosso papo ganha força. O caminho que Beyoncé trouxe na pesquisa musical desse disco é um ato claro de força na música atualmente.
O movimento que Beyoncé fez vai atrair novos fãs para o gênero, colocar mais faixas nas paradas musicais e contribuir ainda mais para o Country no Mainstream. Mas será que isso é do agrado dos artistas e do público do Sul dos Estados Unidos? Fica a questão.
O funk é um gênero que bebe de diferentes fontes, a montagem, o aquecimento, os pontinhos, do tamborzão ao 150BPM, tudo se conecta com interpolações e recortes de outros gêneros musicais, assim como o hip hop.
Por isso, trazer um movimento tão potente, que cada vez mais vem se tornando referência mundial, para um projeto que vem de uma base super conservadora, é no mínimo revolucionário.
Cowboy Carter em 3 faixas: 16 Carriages, Texas Hold ‘Em e Spaghetti.